21/01/2025 | 18:09 | Trânsito
Arilton Bastos Alves, condutor da carreta, foi preso na manhã desta terça-feira no Espírito Santo. Teste toxicológico foi realizado em 23 de dezembro do ano passado
Arilton Bastos Alves, motorista da carreta envolvida no acidente que resultou na morte de 41 pessoas na BR-116, em Teófilo Otoni, Minas Gerais, foi detido no Espírito Santo na manhã desta terça-feira (21). O exame toxicológico feito dois dias após o acidente, em 23 de dezembro, identificou a presença de cocaína, ecstasy, MDA, alprazolam e venlafaxina no organismo de Alves. Os resultados apontam consumo concomitante de cocaína e álcool etílico, conforme publicado pelo g1.
O acidente foi registrado em dezembro do ano passado. A prisão foi ordenada após evidências de que Alves dirigia frequentemente sob o efeito de álcool, incluindo um episódio em julho de 2022, quando foi penalizado por dirigir embriagado. O juiz Danilo de Mello Ferraz destacou a "deliberada assunção de risco" pelo motorista, exacerbada pelo uso de múltiplas drogas.
"Ao ver do Juízo, diante destas informações, não há o que se falar em simples descuido ou inobservância de um dever de cuidado objetivo, mas em deliberada assunção de risco, mormente quando embalado pelo uso de drogas diversas – cocaína, álcool, ecstasy, etc", diz um trecho da decisão, assinada na segunda-feira (20) pelo juiz Danilo de Mello Ferraz.
Fatores como a fuga do local do acidente, o sobrepeso da carga da carreta e o excesso de velocidade também contribuíram para a decisão. Alves admitiu negligenciar a verificação da amarração da carga e os limites de peso, além de dirigir a carreta com velocidades acima do permitido. Além disso, a carreta trafegava a 90 km/h, enquanto o permitido para a via eram 80 km/h.
"O representado chegou a imprimir 132 km/h na mesma viagem, o que revela o grau de descuido/indiferença em poder causar um acidente de trânsito", diz a decisão.
Investigação preliminar
O acidente, que também envolveu um ônibus de viagem e um carro, aconteceu na madrugada de 21 de dezembro, no km 285 da BR-116, em Lajinha, distrito de Teófilo Otoni. Arilton Bastos Alves fugiu do local da batida e se apresentou à polícia dois dias depois, em 23 de dezembro, mas foi liberado – na época, a Justiça negou o pedido de prisão preventiva feito pela Polícia Civil.
A investigação inicial apontou para um pneu estourado do ônibus como causa possível. No entanto, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e testemunhas sugeriram que um bloco de granito se soltou da carreta, atingindo o ônibus. Análises preliminares indicam que o excesso de peso e a velocidade da carreta, somados ao efeito das drogas no condutor, foram fatores determinantes para o acidente.
"Peritos criminais disseram que, em análise preliminar, constatou-se que uma das pedras se desprendeu do reboque, vindo a colidir com o ônibus da empresa Emtram, onde estavam as vítimas. Tudo indica que, em tese, o excesso de peso contribuiu para esse evento, assim como o excesso de velocidade praticado pelo condutor da carreta, sem que se possa desconsiderar, naturalmente, a condução de uma carreta sob o efeito de drogas diversas", diz um trecho da decisão judicial.
Segundo a PRF, esse é o maior acidente em número de mortes registrado em rodovias federais desde 2007.