11/03/2025 | 18:59 | Geral
Para selar o acordo, uma declaração conjunta dos dois países foi publicada e o governo ucraniano se comprometeu em tomar medidas para restaurar uma paz duradoura
A Ucrânia aceitou uma proposta dos Estados Unidos para um cessar-fogo de 30 dias na guerra com a Rússia nesta terça-feira (11). Para selar o acordo, uma declaração conjunta dos dois países foi publicada e o governo ucraniano se comprometeu em tomar medidas para restaurar uma paz duradoura após a invasão da Rússia.
O comunicado foi publicado após uma reunião em Jidá, na Arábia Saudita. A declaração levanta as restrições à ajuda militar e à troca de informações de inteligência, afirmaram num comunicado esta terça-feira.
Após o encontro, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que os Estados Unidos precisam "convencer" a Rússia a aceitar o cessar-fogo. Ele acrescentou que a Ucrânia vê essa proposta de trégua de forma "positiva".
"A Ucrânia aceita essa proposta. Estamos dispostos a adotar uma medida como essa", escreveu Zelensky em uma rede social.
O líder ucraniano também disse que os Estados Unidos "entendem nossos argumentos, captam nossas propostas" e agradeceu a Donald Trump pela "conversa construtiva" entre as equipes de ambos os países.
"A Ucrânia está pronta para a paz. A Rússia deve demonstrar se está disposta a pôr fim à guerra ou a continuá-la", acrescentou Zelensky.
O chefe da administração presidencial ucraniana, Andrii Yermak, que participou das negociações em Jidá, disse:
— Eu acho que a expectativa em relação à Rússia não vem só da Ucrânia. Eu acho, a partir da declaração conjunta de hoje, que essa é a expectativa do mundo. A Rússia precisa dizer muito claramente, eles querem paz ou não? Eles querem acabar com essa guerra que eles começaram ou não?
Representantes de alto escalão da Ucrânia e dos Estados Unidos iniciaram conversas nesta terça-feira (11) sobre formas de encerrar a guerra de três anos da Rússia contra Kiev, em reunião na Arábia Saudita, horas após forças aéreas russas abaterem 343 drones ucranianos no maior ataque do gênero desde que o Kremlin ordenou a invasão do país vizinho.
Três pessoas foram mortas e 18 ficaram feridas, incluindo três crianças, no ataque de drones que atingiu 10 regiões russas, segundo autoridades. A Rússia, por sua vez, lançou 126 Shaheds e outros tipos de drones, além de um míssil balístico na Ucrânia nesta terça, de acordo com a força aérea ucraniana.
Na cidade saudita de Jidá, no Mar Vermelho, jornalistas tiveram breve acesso à sala onde uma delegação ucraniana se reunia com o principal diplomata dos Estados Unidos para dialogar sobre o fim do maior conflito a irromper na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que a última sexta-feira (7) foi marcada por "trabalho intenso" com a equipe do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "em vários níveis".
Em publicação no X, o líder ucraniano destacou que "o tema é claro: paz o mais rápido possível, e segurança da forma mais confiável possível".
Nas últimas semanas, as conversas entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, foram marcadas por tensão.
No dia 28 de fevereiro, em um encontro no Salão Oval, na Casa Branca, os dois presidentes chegaram a "bater-boca".
Em um momento, Trump levantou a voz e chamou o ucraniano de "desrespeitoso".
Em outra ocasião, o americano falou que lhe parecia ser "mais fácil" lidar com a Rússia do que com a Ucrânia para pôr fim à guerra e que confia em seu par russo, Vladimir Putin.
O conflito explodiu no Leste Europeu em fevereiro de 2022, mas a tensão era crescente desde 2014, quando a Rússia invadiu e ocupou a península da Crimeia. No Donbass, região leste da Ucrânia, combatentes separatistas, com o apoio russo, lutavam contra tropas do governo pela independência das regiões de Donetsk e Luhansk.
Tendo como argumento a defesa da população falante russa na região, o presidente Vladimir Putin reconheceu, em 21 de fevereiro de 2022, a autonomia dessas áreas. Três dias depois, invadiu a Ucrânia, uma ex-república soviética, independente desde 1991. O pano de fundo da crise foi a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para o Leste.
O conflito começou cedo em 24 de fevereiro de 2022. Por volta das 5h (horário local de Moscou, meia-noite no Brasil), o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou a operação militar de invasão ao país vizinho.
Inicialmente, a expectativa era de que os ataques ficassem restritos às duas regiões reconhecidas por ele como independentes na última segunda-feira (21): Donetsk e Luhansk, no leste da Ucrânia. No entanto, ao longo do dia, a realidade foi de explosões em diferentes regiões ucranianas, inclusive a capital, Kiev.
À época, a reação internacional ocorreu de forma contundente. Membros da Organização das Nações Unidas (ONU), da União Europeia e de países como China, França, Alemanha e Reino Unido reagiram à invasão, seja condenando ou pedindo moderação.
Diferentes motivos explicam o conflito na Ucrânia, uma ex-república, que integrava a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas até 1991. Com o colapso soviético, a Ucrânia declarou independência, mas sua soberania sempre esteve ameaçada pela influência da Rússia, que vê o território como parte do país.
Nos anos 2000, a Ucrânia iniciou uma aproximação com o Ocidente, mas houve reveses. Em 2004, o presidente eleito Viktor Yanukovich (pró-Rússia) foi removido do poder pela Revolução Laranja, após protestos exigindo eleições transparentes no país. Em 2014, ele retornou ao poder. Ao rejeitar acordos preliminares de integração à União Europeia, Yanukovich foi derrubado pela revolta na Praça Maidan, em Kiev. Semanas depois de sua saída, a Rússia anexou a Crimeia, uma base da frota russa no Mar Negro, e separatistas pró-Moscou tomaram instalações-chave no leste ucraniano.
A intenção da Ucrânia de ingressar na aliança militar do Ocidente acendeu o alerta na Rússia, que temeu tropas na sua fronteira e área de influência. As sucessivas expansões da Otan para o Leste, inclusive para países que pertenciam ao antigo Pacto de Varsóvia, causaram desconforto no Kremlin.
Depois da crise com o fim da URSS, nos anos 1990, Putin assumiu a presidência com a promessa de reposicionar a Rússia enquanto potência global. O país quis retomar a influência em áreas de maioria russa, como a Ossétia do Sul e a Abcásia (Geórgia), a Transnístria (Moldávia) e o próprio Donbass (Ucrânia). A Crimeia já foi ocupada em 2014.
Putin explora os interesses de grupos separatistas pró-Rússia no Donbass. Depois da ocupação da Crimeia, essas organizações passaram a exigir a independência das províncias ucranianas de Donetsk e Luhansk. Uma guerra começou entre os separatistas e as forças do governo da Ucrânia. Dias antes da invasão russa, em 2022, Putin reconheceu a independência das duas províncias.
O governo russo argumentou que um dos objetivos de sua "operação especial", eufemismo de Putin para a guerra na Ucrânia, foi proteger os falantes russos do Donbass, que, em sua visão, seriam perseguidos pelo governo ucraniano.
Putin disse que o governo ucraniano era integrado por políticos de inspiração nazista. Embora o Batalhão Azov, unidade militar integrada às forças armadas russas que luta contra os separatistas no Donbass, conte com integrantes de orientação neonazista, essa não é a realidade da maioria dos líderes ucranianos.
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