01/04/2025 | 05:27 | Geral
Do ano passado até agora, o projeto acompanhou 178 casos de adolescentes radicalizados ou em risco, e 61 deles continuam sendo monitorados.
Na abertura do seminário promovido pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) nesta segunda-feira, 31 de março, em Porto Alegre, o procurador-geral de Justiça, Alexandre Saltz, destacou os resultados do Projeto Sinais, criado pela instituição para ajudar a sociedade a prevenir a radicalização de crianças e adolescentes. Do ano passado até agora, o projeto acompanhou 178 casos de adolescentes radicalizados ou em risco, e 61 deles continuam sendo monitorados.
“O número é alto e mostra a importância da sociedade se informar para agir com rapidez e evitar episódios de violência extrema. Por isso, estamos aqui, para falar sobre as raízes desse tipo de violência, sobre o nosso papel institucional e sobre o papel de cada um de nós, cidadãos e cidadãs, pais e mães de família. O que é que nós estamos fazendo? O que é que nós podemos fazer?”
O procurador de Justiça Fábio Costa Pereira, coordenador do Núcleo de Prevenção à Violência Extrema e do Projeto Sinais, destacou que a série Adolescência, da Netflix, mostrou algo muito preocupante: “A nossa incapacidade de compreender esse mundo que se descortinou com as redes sociais. A série aborda, por exemplo, o bullying e o movimento incel, que propaga ódio contra mulheres, e como essas comunidades online são perigosas para adolescentes em formação. E em praticamente todos os casos monitorados pelo MPRS, alguns fatores se repetem, entre eles, que os pais não sabem o que os filhos consomem no mundo digital e que os adolescentes são vítimas de bullying.”
Para o promotor Marcio Abreu Ferreira da Cunha, que também integra o Núcleo de Prevenção à Violência Extrema, “a nossa mentalidade para enxergar esse problema tem que ser completamente modificada, porque muita gente acha que isso só ocorre em grandes centros, mas a gente já monitorou casos em cidadezinhas de quatro mil habitantes. O radicalismo não tem fronteiras.”
Michele Prado, pesquisadora e especialista em extremismo online, falou sobre as pegadas digitais deixadas por esses jovens. “O monitoramento digital é fundamental, pois a partir desses registros podemos identificar padrões, tendências e possíveis sinais de iminência de ataques. É preciso ficar atento para identificar postagens, comentários, interações diretas, curtidas, rede de contatos, inserção em subculturas online nocivas e usernames, que são os apelidos”, destacou. Segundo Michele Prado, o principal meio de recrutamento dos adolescentes, hoje, é a plataforma TikTok, onde eles recebem convites, clicam e são levados a plataformas fechadas, como Discord, um território sem lei, usado por criminosos muito perigosos.
O último painel do seminário tratou sobre “as novas formas de discriminação e as mídias sociais". A mediação foi da promotora de Justiça Letícia Elsner Pacheco, com participação do professor de Cultura Judaica e Hebraico Ilton Gitz e Daniela Russowsky Raad, presidente da Federação Israelita do RS. Eles debateram o antissemitismo ao longo da história e o crescimento e propagação do ódio aos judeus nas redes sociais.