02/04/2025 | 06:35 | Polícia
Polícia cumpriu mandados de prisão e de buscas em quatro Estados nesta terça-feira (1º). A PF classifica o grupo como "uma das maiores organizações criminosas especializadas em fraudes bancárias em pessoas jurídicas"
Um celular atirado pela janela por um dos presos da Operação Faroeste Digital, realizada no ano passado, levou a Polícia Federal aos líderes de uma organização criminosa. A identificação resultou na Operação Tripeiros, nesta terça-feira (1º).
Foram executados 12 mandados de prisão e 18 de buscas, além do sequestro de bens de investigados em São Paulo, Goiás, Santa Catarina e Ceará autorizados pela Justiça.
O nome da operação remete aos responsáveis pelo recrutamento de "laranjas" usados para distribuição de dinheiro desviado de contas bancárias de empresas via fraudes eletrônicas.
A PF classifica o grupo como "uma das maiores organizações criminosas especializadas em fraudes bancárias em pessoas jurídicas".
A PF apurou que a organização criava até site "clone" de bancos e "atraía" vítimas a entrarem e inserirem dados bancários para transferências milionárias.
Segundo a PF, "os criminosos utilizavam técnicas de engenharia social e phishing para realizar as fraudes". O phishing é um ataque cibernético que visa obter dados confidenciais de vítimas.
Por meio do acesso a essas informações dos clientes do banco, os criminosos criavam um site "clone" da instituição financeira e faziam a engenharia social, método de manipulação e persuasão para ludibriar a vítima.
A Operação Tripeiros constatou que, em apenas um ataque cibernético, em questão de minutos, o dinheiro transferido de uma só conta totalizou quase R$ 1 milhão e foi distribuído em mais de 70 contas de "laranjas". Segundo a PF, durante o período de um ano e meio da investigação o grupo movimentou mais de R$ 100 milhões.
A PF chegou às lideranças da organização por meio da análise de conteúdo do celular jogado pela janela por um dos alvos da Operação Faroeste Digital, executada em 2024.
Toda a investigação ficou a cargo da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos, braço da PF que atua contra fraudes eletrônicas. A atribuição sobre esse tipo de crime é da Justiça estadual, mas a PF assumiu o controle da investigação porque a quadrilha operava em vários Estados.
Os alvos da Operação Tripeiros deverão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, furto qualificado mediante fraude e organização criminosa.
Em nota, a PF reafirmou seu "compromisso com o combate à criminalidade cibernética e à proteção do sistema financeiro nacional".