19/08/2025 | 14:15 | Trânsito
Embora não haja indícios de que os acidentes foram causados por problemas estruturais, usuários destacam que ausência de pintura, sobretudo delimitando as faixas, aumenta o risco de colisões
O trecho da BR-116 onde sete pessoas morreram entre a última quarta-feira (13) e segunda (18) é também alvo de reclamação de motoristas quanto à falta de fiscalização na rodovia. O segmento dos kms 254 a 248, entre Sapucaia do Sul e São Leopoldo, apresenta irregularidades quanto à demarcação de faixas entre as pistas.
Não há indícios de que os acidentes foram causados por problemas estruturais. No entanto, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e os próprios usuários da rodovia, a falta de sinalização aumenta o risco de ocorrências.
— Não tem uma tartaruga sinalizando as pistas, não tem demarcação. Agora a gente observa que botaram uns cones laranjas, mas está em cima do risco, se daqui um pouco um motorista trocar de pista não vai dar tempo de reação. Está bem complicado — conta o empresário Márcio Alves, 49 anos, morador de Sapucaia do Sul.
Todos esses fatores exigem uma atenção redobrada de motoristas e podem confundir quem não conhece a rodovia.
— Eu acho que no geral é uma via que tem potencial pra ser segura, mas na situação atual não é. Tu diriges com medo, com atenção redobrada — afirma a enfermeira Renata Fontanive, 25 anos, moradora de São Leopoldo.
O segmento passa por obras, assim como toda a extensão da rodovia entre Porto Alegre e Novo Hamburgo. Um dos principais serviços é a implementação da terceira faixa, um espaço de transição para os veículos trafegarem entre a pista central e lateral.
Em São Leopoldo esta faixa já está implementada. No entanto, em muitos pontos ainda não foi feita a pintura entre as faixas. No km 248, logo após uma loja de materiais de construção, não há uma separação clara entre as pistas, além do trecho apresentar desníveis. Há ainda cones no canto da rodovia e a presença de muretas e meios-fios sem continuidade.
Na visão da PRF, os problemas na sinalização são um fator que aumenta a acidentalidade. O chefe de Comunicação Social no RS, inspetor Douglas Paveck, afirma que a corporação tem cobrados melhorias para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
— Esse trecho está com um problema na sinalização e é algo que compete ao Dnit. Da nossa parte, procuramos sempre aumentar a fiscalização nos horários com maior número de veículos circulando. Esperamos que, o mais breve possível, consigamos ter uma sinalização adequada na região.
O Dnit informou por meio de nota (leia íntegra abaixo) que pretende reforçar a sinalização ainda nesta semana, com a continuidade da implantação de sinalização horizontal (pintura) na rodovia. O órgão federal não informou, no entanto, quais pontos serão contemplados nem em quais dias o serviço será realizado.
Em maio, Zero Hora entrevistou o superintendente regional do Dnit, Hiratan Pinheiro da Silva, e questionou a falta de pintura nas novas faixas.
— A execução e cobertura da sinalização, a gente consegue fazer só no verão, no inverno não tem como executar microrrevestimento. E a BR-116 não consegue abrir grandes frente de microasfalto em razão do trânsito — afirmou, na época.
O DNIT informa que em função do avanço das obras de melhorias operacionais da BR-116/RS, alguns segmentos que ainda estão recebendo serviços, estão com sinalização de obra. Mas, ainda nesta semana, será reforçada a sinalização, com a continuidade da implantação de sinalização horizontal na BR-116/RS.