As dificuldades enfrentadas pelos produtores de leite no Brasil, incluindo a concorrência com produtos importados, não foram causadas por uma única ação, mas por uma série de fatores e políticas ao longo do tempo.
Os principais elementos que contribuíram para a entrada do leite estrangeiro no mercado brasileiro são:
- Abertura comercial nos anos 90: A desregulamentação do setor e a liberalização do comércio no início dos anos 90, somadas à criação do Mercosul, permitiram uma maior entrada de produtos importados, incluindo o leite.
- Importação do Mercosul: A Argentina e o Uruguai são os principais fornecedores de leite importado para o Brasil, chegando a responder por 91% das importações do produto. Esses países possuem uma produção mais tecnificada e, em muitos casos, contam com subsídios governamentais, o que permite que exportem o leite a preços mais baixos.
- Retirada de tarifas de importação: Em 2019, o governo de Jair Bolsonaro retirou as tarifas de importação do leite europeu, causando fortes protestos e preocupação entre produtores brasileiros, que apontaram que o produto europeu já recebia subsídios, tornando a concorrência desleal.
- Crise de 2023: Em 2023, o setor lácteo brasileiro enfrentou uma crise sem precedentes, impulsionada por um aumento explosivo na importação de leite em pó, que derrubou os preços no mercado interno e impactou a competitividade dos pequenos e médios produtores.
- Decisões recentes do governo: Em 2025, houve reclamações e questionamentos sobre a decisão do governo de não investigar importações de leite em pó vindas da Argentina e do Uruguai, contrariando uma visão que perdurava por mais de 25 anos no setor.
O cenário é, portanto, o resultado de uma combinação de políticas de abertura de mercado, acordos comerciais (como o Mercosul) e a concorrência com países que muitas vezes oferecem subsídios à sua produção, impactando diretamente a competitividade e o preço do leite nacional.