22/10/2025 | 09:58 | Cultura
Projeto do Memorial da Evolução Agrícola une arte, memória e bem-estar emocional em uma Mostra que revela como o bordado pode transformar histórias pessoais em laços coletivos.
No dia 25 de outubro, às 14h, o Memorial da Evolução Agrícola (MEA), em Horizontina (RS), inaugura a exposição inédita “Bordando Afetos”, resultado de meses de oficinas de bordado sobre fotografia que reuniram 103 participantes ao longo do ano. A mostra integra o programa Mãos e Fios, iniciativa do MEA que valoriza as práticas manuais como espaço de acolhimento, aprendizado, conexão e fortalecimento da saúde mental.
O projeto Bordando Afetos foi idealizado pela artista visual e produtora cultural Mitti Mendonça, de São Leopoldo (RS), que há anos pesquisa memórias afetivas a partir de álbuns de família e utiliza o bordado como ferramenta de criação.
“Esse projeto foi inspirado na história da minha família, no bordado que circula há mais de 100 anos entre as mulheres da minha casa. Ele é uma forma de abraçar outras pessoas, outras vivências, e transformar memórias pessoais em coletivas”, conta Mitti.
Com trajetória reconhecida em instituições como o Instituto Moreira Salles, Museu de Arte do Rio Grande do Sul e SP-Arte, Mitti destaca a importância de levar a oficina para além dos grandes centros: “Nesse formato com o MEA, foi a primeira vez que capacitei outras pessoas para multiplicarem a oficina. É uma parceria bonita, que permite que as fotografias afetivas circulem em um espaço de ateliê aberto à comunidade”.
Para a artista, cada fotografia escolhida pelas participantes carrega camadas de sentidos. “O bordado em fotografia abre espaço para que as pessoas celebrem suas ancestralidades, revisitem saudades, elaborem lutos e ressignifiquem memórias. A exposição é um campo de diálogo. Mesmo que o visitante não conheça quem está retratado nas fotos é possível se conectar a uma memória parecida, a uma lembrança de família guardada”, explica Mitti.
Para Letícia Fabrício Berwanger, professora, artesã e participante da oficina, o Bordando Afetos vai muito além da técnica. “Esse projeto fala sobre atenção, cuidado, carinho e amor pelo que temos e pelo que vivemos. Foi uma experiência de troca, onde aprendemos novas técnicas, mas também bordamos sentimentos nas fotografias escolhidas com tanto carinho”, conta.
O Mãos e Fios: acolhimento e transformação
O Bordando Afetos faz parte do Mãos e Fios, programa criado em 2023 pela mediadora cultural Claudete Engler. Desde então, o projeto já impactou mais de 750 mulheres em Horizontina e em outros municípios por meio de oficinas itinerantes. Além de atividades como crochê, tricô e bordado, o programa promove encontros de acolhimento, escuta ativa e voluntariado, mostrando como o artesanato pode ser ferramenta de saúde emocional e também de geração de renda.
“O Bordando Afetos mostrou que o ato de bordar pode ser também um gesto de cura. Quando as participantes trazem suas fotografias e começam a costurar lembranças, elas compartilham vivências, elaboram sentimentos e constroem vínculos. O MEA tem sido esse espaço de encontro entre memória, arte e afeto”, destaca Claudete Engler, mediadora cultural e criadora do programa Mãos e Fios.
Além do Bordando Afetos, o programa Mãos e Fios abriga outras iniciativas que fortalecem o intercâmbio cultural e a valorização das práticas tradicionais femininas no Noroeste gaúcho.
Um dos principais projetos é o “Amigas do MEA”, que promove encontros semanais e abertos ao público para confecção voluntária de peças em lã doadas a instituições sociais. Os encontros são momentos de partilha e escuta, onde o fazer manual se transforma em ferramenta de convivência e cuidado.
O Mãos e Fios também se estende para além de Horizontina com o projeto “Oficinas Itinerantes”, realizado em parceria com secretarias municipais e instituições sociais. As atividades são voltadas a mulheres atendidas por CRAS, CREAS e CAPS e já alcançaram cinco municípios gaúchos. Além do bem-estar emocional, o Mãos e Fios também atua na geração de renda, capacitando mulheres para atuarem como oficineiras e artesãs em suas comunidades.
Exposição aberta ao público
Os trabalhos produzidos nas oficinas estarão disponíveis para visitação até 8 de fevereiro de 2026, no Ateliê Educativo do MEA. A exposição convida o público a mergulhar em um acervo de memórias bordadas, onde cada fotografia se transforma em um portal de afetos, histórias e lembranças compartilhadas.
SOBRE O MEA
Todas as atividades do MEA são gratuitas e de classificação livre.
Estacionamento exclusivo para visitantes. Não fecha ao meio dia.
Prédio do Memorial: de quarta a domingo e feriados, das 9h às 17h (entrada na exposição até às 16h30).
Área externa do MEA: de terça a domingo e feriados, das 8h às 22h.
O MEA - Memorial da Evolução Agrícola é uma iniciativa do Ministério da Cultura e do Instituto John Deere, através da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura do Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC), e tem como patrocinador master a John Deere Brasil.
Ocupa uma área de 64 mil m2 em Horizontina, no Rio Grande do Sul, proporcionando atividades de arte, cultura, educação, meio ambiente, esporte e lazer. De forma tecnológica e imersiva, o MEA conta a história da agricultura brasileira com o objetivo de provocar, trocar e produzir conhecimento em prol da sociedade e da diversidade cultural e ambiental. Todas suas atividades culturais, educativas e de bem-estar são oferecidas gratuitamente e de classificação livre. Conta com amplo estacionamento gratuito para os visitantes.
Além do espaço da exposição de longa duração e das oficinas culturais e das sala multiuso, o complexo tem quadras esportivas, academia a céu aberto, parquinhos para crianças de até 12 anos, amplo espaço para práticas ao ar livre, John Deere Store e a unidade Senai Horizontina (RS).