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03/11/2025 | 06:27 | Geral

Quatro meses após ataque, escola de Estação tem rotina de monitoramento

Em 8 de julho, adolescente de 16 anos entrou na instituição e esfaqueou alunos. Uma criança de nove anos morreu

Em 8 de julho, adolescente de 16 anos entrou na instituição e esfaqueou alunos. Uma criança de nove anos morreu
Segurança monitora a escola e mais câmeras foram instaladas. Rebecca Mistura / Agencia RBS

Quatro meses depois de viver o trauma do ataque a uma escola, os cinco mil habitantes de Estação, no norte do Estado, se recuperam da mudança brusca na rotina. Alvo da violência, a Escola Maria Nascimento Giacomazzi voltou ao dia a dia das atividades letivas, mas regras de segurança passaram a integrar o cotidiano antes pacato.

Em 8 de julho, um adolescente de 16 anos invadiu a instituição com uma faca e atacou alunos. O estudante Vitor André Kungel Gambirazi, 9 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu. Além dele, duas alunas e uma professora ficaram feridas.

Hoje a direção da escola não permite a entrada de pessoas estranhas na instituição — nem mesmo dos pais dos alunos. A imprensa também não foi autorizada a acessar o espaço na última quinta-feira (30), quando o governador Eduardo Leite visitou a instituição para entregar um plano de contingência

Mesmo do lado de fora, é possível identificar as mudanças. No lado esquerdo do portão, um interfone foi instalado para permitir somente o acesso de pessoas identificadas. Além disso, um segurança controla o fluxo na portaria e pelo menos 10 novas câmeras de videomonitoramento foram instaladas nas áreas internas e externas da instituição.

Um dos funcionários da escola relembra com pesar do caso e diz que levou tempo para se recuperar do choque. Ele estava trabalhando no dia do ataque e presenciou o ocorrido.

— Não foi fácil, mas agora, quase quatro meses depois, dá pra dizer que estou melhor. Foi um trauma grande, perdemos um pequeno. Vamos indo aos poucos — disse o homem, que pediu para não ser identificado e relatou não estar autorizado a conceder entrevista.

Na Rua André Mafessoni, moradores vizinhos da escola contam que a sensação de insegurança não é mais a mesma das semanas posteriores ao ataque. Para eles, a rotina voltou de forma despercebida conforme a movimentação nos arredores diminuiu.

— A vida precisa seguir, né? As crianças têm que voltar para a escola e por aqui podemos dizer que está normal a vida agora — relatou um morador, que também pediu para não ter o nome divulgado. 

No plano de contingência entregue por Leite, o documento prevê medidas a curto, médio e longo prazo para prevenir a violência e orientações de como agir caso volte a acontecer. À comunicação do governo do Estado, a diretora da escola, Karina Slaviero, relatou o trauma: 

— Foi um período muito triste e difícil, mas, aos pouquinhos, as coisas vão se encaixando e a escola vai reencontrando seu caminho. O normal de antes não volta mais: o que estamos construindo agora é um novo normal, feito de cuidado, escuta e reconstrução.

Relembre

O ataque aconteceu na manhã de 8 de julho, quando um adolescente de 16 anos entrou na escola com a justificativa de que entregaria um currículo. Já lá dentro, pediu para ir ao banheiro e, no trajeto, pegou uma faca que levava na mochila. 

Ele invadiu uma sala de aula e agrediu três alunos e uma professora a facadas. O estudante Vitor André Kungel Gambirazi, 9 anos, morreu.

No mesmo dia, o adolescente foi apreendido pela Brigada Militar e encaminhado para internação provisória em um Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) da região. Ele foi julgado e vai permanecer recolhido por três anos — máximo de tempo permitido conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Fonte: GZH
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