26/12/2025 | 05:00 | Geral
Alteração integra o pacote fiscal aprovado pelo Congresso no final de 2024 e tem como objetivo reduzir gastos públicos
A partir de 2026, o abono salarial do PIS/Pasep deixará de seguir o limite tradicional de dois salários mínimos e passará a ter um novo cálculo: o critério de renda será corrigido apenas pela inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Na prática, essa mudança faz com que, ano após ano, menos pessoas se encaixem nos requisitos para receber o benefício. A projeção do governo é que, até 2035, o abono seja pago somente a quem ganhou até um salário mínimo e meio no ano-base, devendo excluir milhões de trabalhadores.
A alteração integra o pacote fiscal aprovado pelo Congresso no final de 2024 e tem como objetivo reduzir gastos públicos e direcionar o programa a trabalhadores de rendimento mais baixo.
Embora o critério de renda mude, os demais requisitos permanecem intactos.
O PIS/Pasep é pago anualmente a trabalhadores com carteira assinada do setor privado (PIS) e a servidores públicos (Pasep).
O valor pode chegar a um salário mínimo, proporcional aos meses trabalhados no ano-base — que sempre é o período de dois anos antes.
Até o calendário de 2025, tinha direito ao abono quem:
Em 2025, por exemplo, recebeu o benefício quem ganhou até R$ 2.640 no ano-base de 2023.
A mudança aprovada cria um período de transição. A partir de 2026, o limite de renda deixará de acompanhar o salário mínimo, que segue tendo reajustes acima da inflação, e será corrigido exclusivamente pelo INPC.
Isso altera de forma significativa o universo de beneficiários.
Com isso, mesmo que o salário mínimo continue crescendo acima da inflação, o teto para acesso ao abono não acompanhará esse ritmo, restringindo progressivamente quem tem direito.
Com o INPC de 2024 em 4,77%, o limite para ter direito ao abono em 2026 será de R$ 2.765,92.
Ou seja, trabalhadores cujo salário médio ultrapasse esse valor no ano-base de 2024 ficarão de fora já no próximo calendário.
O governo argumenta que, como o salário mínimo tem reajuste composto por inflação + crescimento econômico (PIB), o limite de renda do PIS/Pasep aumentava ano após ano. Isso ampliava o número de beneficiários e elevava gastos de forma contínua.
Ao atrelar o critério apenas à inflação:
Segundo o governo, a medida busca dar sustentabilidade ao abono no longo prazo.
Mesmo com a nova regra de renda, os requisitos básicos permanecem:
O valor do abono seguirá vinculado ao salário mínimo — diferente do critério de renda, que usará apenas a inflação.
Com a projeção de salário mínimo de R$ 1.631 em 2026:
O cronograma do abono salarial de 2026 será definido pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) em reunião marcada para 16 de dezembro. O Ministério do Trabalho e Emprego deve divulgar as datas logo após a deliberação.
Em 2025, o programa destinou R$ 30,7 bilhões para o pagamento a 25,8 milhões de trabalhadores. Todos os beneficiários podem sacar até 29 de dezembro de 2025.
A consulta pode ser feita pela Carteira de Trabalho Digital, seguindo o passo a passo:
Trabalhadores da iniciativa privada também podem verificar o benefício pelos aplicativos Caixa Trabalhador e Caixa Tem.
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