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12/01/2026 | 05:50 | Geral

Com plantio quase concluído e clima ajudando, expectativa é de grande safra de soja no RS

Produtores e entidades projetam recuperação após ciclos de quebra, causados principalmente por estiagem

Produtores e entidades projetam recuperação após ciclos de quebra, causados principalmente por estiagem
Em São Pedro do Sul, na Região Central, lavouras semeadas no início da janela de plantio apresentam bom desenvolvimento. Wagner Cabral / Divulgação

A tão esperada ajuda do clima para a produção agrícola do Rio Grande do Sul deslanchar na safra 2025/2026 parece estar acontecendo. Depois de quatro ciclos seguidos sem os resultados esperados, as condições climáticas e o desenvolvimento das lavouras até agora indicam que o Estado pode colher, pelo menos, uma safra de recuperação frente a outros anos.

Projeção feita pela Emater, anunciada em setembro passado na Expointer e mantida até agora, prevê uma produção de 21,4 milhões de toneladas de soja, o principal produto agrícola da temporada. Se batido, o resultado superará a última grande safra do Estado, em 2021, quando foram colhidas 20,4 milhões de toneladas de soja.

Na soma total de grãos, incluindo milho, arroz e sorgo, são esperadas 35 milhões de toneladas, uma alta de 27,3% em relação ao último ciclo.

— As previsões noticiadas no início da safra eram de que se teria La Niña (padrão climático que reduz a quantidade de chuvas), mas que o fenômeno enfraqueceria. Isso se confirma, e a distribuição de chuvas tem sido satisfatória até aqui, em cenário diferente do que foram as últimas cinco ou seis safras atingidas por estiagens. Então, temos uma condição favorável para o percurso de uma boa safra — explica o diretor técnico da Emater, Claudinei Baldissera.

Acesso a crédito

Com 96% da safra já semeada, as preocupações, contudo, se voltam para o rendimento das áreas plantadas, que não puderam receber o aporte ideal de investimentos devido ao acesso restrito a crédito. A percepção é tanto de entidades representativas do setor quanto dos agricultores.

— Por ora, a perspectiva é muito boa. Se mantiver este clima, teremos uma grande safra em relação aos últimos anos e em especial a 2025, confirmando a produção que a Emater anuncia. Mas há muita área que foi plantada sem correção de solo ou fertilizantes, e que não vai render o máximo que poderia porque faltaram insumos que comprometem a produtividade — alerta o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja-RS), Irineu Orth.

Conforme levantamento da Federação da Agricultura da Agricultura (Farsul) divulgado na largada do ano, o endividamento rural cresceu 71% de julho de 2024 a novembro de 2025, passando de R$ 72,2 bilhões para R$ 123,6 bilhões no Brasil. A cifra considera pagamentos em atraso, em inadimplência, prorrogados ou renegociados.

A busca por números robustos fica mais difícil quando faltam investimentos. Produtor rural entre Santa Maria e Dilermando de Aguiar, na região central do Estado, Renato Freitas relata que houve redução de 5% em área plantada nesta safra. Segundo o produtor, que também é presidente da Cooperativa Mista dos Agricultores de Toropi, o grande limitador é o crédito. E sem crédito, não há investimento. Lidando com a dificuldade financeira, muitos agricultores deixaram de apostar em correção de solo ou na aplicação de fertilizantes, por exemplo.

— Estamos apostando em uma safra boa, mas de menor rendimento. O clima vem ajudando, mas uma lavoura mal alimentada, inevitavelmente, vem menos produtiva. Ainda que não se tenha como saber o quanto — diz o agricultor, que plantou 550 hectares da oleaginosa nesta safra.

Impacto na produtividade

A régua é a produtividade, que calcula a quantidade de sacas colhidas por hectare. Enquanto num ano “normal” espera-se uma produtividade média de 60 sacas por hectare, este ano a colheita deve render entre 45 e 50 sacas, estima Freitas.

Onde foi possível investir, as expectativas ficam ainda mais nas mãos do tempo. O produtor Fábio Grün, de Giruá, nas Missões, conta que todo o investimento foi mantido como nos outros anos, porque houve acesso a crédito. Nos 150 hectares de soja plantados, o desenvolvimento da safra está em boas condições.

— Fizemos correção de solo e temos feito cobertura. Por enquanto, estamos bem — relata Grün.

Depois de tantas colheitas frustradas e com o endividamento apertando no bolso, espera-se que o clima possa compensar o acumulado de perdas dos agricultores.

— O acesso ao crédito é um fator extremamente preocupante e grave. Então, se torce para que a safra transcorra bem. Que o clima ajude e que a combinação de condição hídrica, radiação solar e temperatura adequadas compense. Confirmando a projeção, será uma grande safra. É o que se espera que nessa caminhada — diz Baldissera.

Fonte: GZH
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