07/04/2026 | 20:38 | Geral
Presidente dos Estados Unidos condicionou a pausa no conflito à "abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz"
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu os bombardeios contra Irã por duas semanas. O anúncio foi publicado na rede Truth Social na noite desta terça-feira (7).
Segundo o norte-americano, a decisão foi tomada "com base nas conversas com o Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif e o Marechal de Campo Asim Munir, do Paquistão", que solicitaram "que suspendesse o envio de forças destrutivas ao Irã".
"Este será um CESSAR-FOGO bilateral! A razão para tal é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares e estamos muito avançados em um Acordo definitivo sobre a PAZ a longo prazo com o Irã e a PAZ no Oriente Médio", completou.
Trump condicionou a pausa no conflito à "abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz".
"Com base nas conversas com o Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif e o Marechal de Campo Asim Munir, do Paquistão, nas quais me solicitaram que suspendesse o envio de forças destrutivas ao Irã esta noite, e desde que a República Islâmica do Irã concordasse com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO bilateral! A razão para tal é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares e estamos muito avançados em um Acordo definitivo sobre a PAZ a longo prazo com o Irã e a PAZ no Oriente Médio. Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela constitui uma base viável para a negociação. Quase todos os pontos de discórdia anteriores foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o Acordo seja finalizado e consolidado. Em nome dos Estados Unidos da América, como Presidente, e também representando os países do Oriente Médio, é uma honra ver este problema de longa data próximo de uma solução. Agradeço a sua atenção a este assunto! Presidente DONALD J. TRUMP", escreveu.
O clima da guerra que teve início no final de fevereiro ganhou novo tom na manhã desta terça, quando Trump publicou na rede Truth Social que uma "civilização inteira" morreria "para nunca mais ser ressuscitada.
"Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá", escreveu Trump.
O embaixador do Irã nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, garantiu que o país não ficaria de braços cruzados diante das declarações do líder dos EUA. Ele também disse que as falas de Trump "constituem incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio".
— O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais — disse ele.
Desde o dia 28 de fevereiro, marco do início da guerra no Oriente Médio, o Irã mantém o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, por onde circulam cerca de 20% de todo o gás e petróleo do mundo. A ação afetou — e continua impactando — a cadeia econômica global, com o preço do barril de petróleo atingindo marcas históricas. A ameaça de Trump da manhã desta terça-feira (7) foi realizada apenas 12 horas antes do prazo final para a reabertura de Ormuz.
Já na tarde desta terça, em publicação no X, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pediu que o presidente dos EUA adie o prazo final para as negociações de paz com o Irã por mais duas semanas. O Paquistão atua como mediador do conflito.
"Os esforços diplomáticos para resolver pacificamente a atual guerra no Oriente Médio estão em progresso estável, forte e com potencial para levar a resultados significativos no futuro. Pedimos a extensão do prazo para permitir que a diplomacia siga seu curso", escreveu Sharif.
Além dos EUA, o premiê paquistanês pediu que o Irã conceda a reabertura do Estreito de Ormuz pelo período correspondente de duas semanas como gesto de "boa fé" durante as negociações de paz.
"Também pedimos que todas as partes cumpram um cessar-fogo geral por duas semanas para permitir que a diplomacia termine a guerra completamente, no interesse da paz e estabilidade de longo prazo na região", acrescentou Shehbaz Sharif.
No dia 28 de fevereiro, em ação coordenada com Israel, os Estados Unidos bombardearam áreas do Irã. A ofensiva atingiu regiões estratégicas do país, inclusive da capital Teerã. O ataque resultou nas mortes de autoridades importantes do Irã, entre eles o aiatolá Ali Khamenei – líder supremo do país.
Estados Unidos e Israel argumentam que a ofensiva teve como objetivo retaliar a expansão do projeto de armas nucleares do Irã. Em resposta, o governo iraniano atacou países vizinhos e destruiu bases militares norte-americanas no Oriente Médio.
No dia 8 de março, a Assembleia de Especialistas do Irã escolheu Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como novo líder supremo do país. Ele sucede o pai, o aiatolá Ali Khamenei, que ocupava o posto desde 1989. A posição representa a autoridade máxima do sistema político iraniano. A decisão marca uma mudança histórica no comando da República Islâmica.
Já em 9 de março, o presidente norte-americano disse que a guerra contra o Irã está "praticamente encerrada". O republicano argumentou que o Irã está enfraquecido e que sofreu grandes perdas estruturais.
No dia 1º de abril, em pronunciamento oficial televisionado, o presidente dos Estados Unidos afirmou que os EUA atingiram quase todos os objetivos:
— Os objetivos estratégicos estão quase completos.
No mesmo pronunciamento, ao referir-se ao Irã, Trump disse que "eles estão dizimados, tanto militar quanto civilmente".
— Os Estados Unidos quase não importam petróleo pelo Estreito de Ormuz e não importarão no futuro. Não precisamos. Derrotamos e dizimamos completamente o Irã. Eles estão dizimados, tanto militar quanto civilmente — completou.
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