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14/05/2026 | 06:13 | Política

Flávio Bolsonaro admite pedido de dinheiro a banqueiro Daniel Vorcaro para financiar filme

Pré-candidato do PL negou e depois admitiu ter pedido dinheiro ao dono do banco Master para financiar cinebiografia de Jair Bolsonaro

Pré-candidato do PL negou e depois admitiu ter pedido dinheiro ao dono do banco Master para financiar cinebiografia de Jair Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu que pediu recursos a Daniel Vorcaro para financiar o filme. PEDRO KIRILOS / ESTADÃO CONTEÚDO

A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve na quarta-feira (13) um dos seus dias mais complicados desde que seu nome foi ungido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para concorrer à presidência da República no final do ano passado.

Poucas horas depois da pesquisa Quaest indicar uma leve recuperação da candidatura do presidente Lula, veio o vazamento de um áudio em que Flávio pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme em produção inspirado na vida de Jair Bolsonaro, Dark Horse. A notícia foi veiculada pelo site Intercept Brasil.

A divulgação repercutiu entre aliados e futuros concorrentes do senador na corrida eleitoral. No mesmo dia, os pré-candidatos Ronaldo Caiado, do PSD, Romeu Zema, no Novo, e Renan Santos, do Missão, se manifestaram.

A reportagem mostra que o senador enviou áudio ao banqueiro pedindo dinheiro para ajudar a bancar a produção do filme, que estaria com “muitas parcelas para trás”. Flávio pede desculpa por abordar o banqueiro em um “momento dificílimo” antes de pedir recursos.

“Então, se você me dar um toque, uma posição aí. A gente precisa saber o que faz, cara, da vida. Já tem muita conta pra pagar esse mês e o mês seguinte também e agora que é a reta final que a gente não pode vacilar”, diz Flávio.

Além do áudio, Flávio escreve a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”

A última mensagem foi enviada em 15 de novembro, na véspera da prisão de Vorcaro no Aeroporto Internacional de São Paulo, onde pretendia embarcar para os Emirados Árabes Unidos.

Segundo informações da Agência Estado, os áudios revelados são legítimos e fazem parte da extração do conteúdo do primeiro telefone celular do banqueiro, apreendido pela Polícia Federal na primeira fase da Operação Compliance Zero.

Após a divulgação da reportagem, Flávio fez uma reunião de emergência em Brasília. Além dele, o coordenador de sua campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e a advogada da equipe, Maria Claudia Bucchianeri, estiveram no QG do partido, no Lago Sul.

Em seguida, foi divulgada uma nota admitindo a veracidade dos áudios.

O deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor executivo do filme, também se manifestou, afirmando que Flávio Bolsonaro "não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora".

No texto, o senador diz se tratar de “um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai”. Diz ainda não ter oferecido “vantagens em troca” ao banqueiro e tê-lo conhecido em dezembro de 2024, quando “o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro.”

Pela manhã, Flávio havia sido questionado por um repórter do Intercept Brasil na saída de um evento no Supremo Tribunal Federal, quando respondeu: "É mentira, de onde você tirou isso? É mentira, pelo amor de Deus". O vídeo deste momento foi divulgado pelo canal GloboNews.

Conforme a reportagem do Intercept Brasil, Vorcaro teria se comprometido a repassar um total de 24 milhões de dólares (R$ 120,6 milhões, pela cotação deste dia 13), e 10,6 milhões (R$ 53,2 milhões) foram efetivamente transferidos entre fevereiro e maio de 2025.

Após a divulgação da reportagem, a colunista do jornal O Globo Malu Gaspar publicou duas colunas revelando repasses do Banco Master para financiamento do filme. A maior delas, de R$ 62 milhões, teria sido intermediada por uma agência de publicidade. Outra, de R$ 2,3 milhões, foi paga pelo Banco Master à empresa Entre Investimentos e consta nas declarações de Imposto de Renda do banco.

O que dizem os pré-candidatos? 

Outros três pré-candidatos à presidência repercutiram o caso. Em seu Instagram, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) se dirige a Flávio:

“Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, disse em trecho do vídeo.

Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, divulgou nota dizendo que o caso precisa ser tratado "com total transparência".

“O senador Flávio Bolsonaro deve responder aos questionamentos sobre o financiamento do filme e as relações com o dono do Master. Tudo que envolve Master e cifras milionárias precisa ser tratado com total transparência com a população. O Brasil vive um momento em que a sociedade exige clareza nas relações entre agentes públicos, empresas e interesses privados”, afirmou o presidenciável.

Renan Santos, do Missão, fez um vídeo em suas redes reagindo ao áudio. Na legenda escreve que “se o Brasil for um país sério” o senador deveria ser preso bem como todos envolvidos no escândalo do Master.

Escândalo atingiu Ciro Nogueira e STF

As relações de Flávio com Daniel Vorcaro chegam seis dias depois da segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que mirou nas relações do senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, com o banqueiro.

Segundo a investigação, o senador teria recebido de Vorcaro pagamentos mensais recorrentes, além de outras vantagens, em troca de favores como a apresentação de uma proposta de emenda à Constituição beneficiando o banco.

Também tiveram forte repercussão as relações de Vorcaro com dois ministros do STF, Dias Toffoli, que teria recebido pagamentos de um fundo ligado ao Master pela venda de parte de um resort no Paraná, e Alexandre de Moraes, cuja esposa tem um escritório que havia sido contratado pelo Master por R$ 129 milhões.

Toffoli, que era relator do caso Master no STF, se afastou do processo — que foi sorteado para André Mendonça. Moraes nega irregularidades.


Íntegra da nota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

"Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet.

Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme.

Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ."

Íntegra da nota do deputado Mário Frias (PL-SP)

"Na condição de produtor executivo do longa-metragem Dark Horse, sobre a trajetória do presidente Jair Bolsonaro, esclareço:  

1. O senador Flávio Bolsonaro não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora. Seu papel limitou-se à cessão dos direitos de imagem da família e, naturalmente, ao peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados em financiar um projeto desse porte — o que é legítimo, esperado e não configura, em si, nada além do óbvio.  

2. Como já esclareceu a produtora GOUP Entertainment, não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse. E, ainda que houvesse, não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco.   

3. Dark Horse é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional — com qualidade inédita para retratar o maior líder político brasileiro do século XXI. O projeto é real, será lançado nos próximos meses e, para quem investiu, será um negócio bem-sucedido.  

4. ⁠Desde o anúncio do projeto, Dark Horse vem sendo alvo reiterado de ataques direcionados não apenas à produção do filme, mas também à sua própria viabilidade e futura exibição. Há uma tentativa permanente de descredibilizar a obra perante a opinião pública, investidores e parceiros do setor audiovisual, muitas vezes por motivações claramente políticas e ideológicas. Ainda assim, o projeto segue firme, estruturado e respaldado por profissionais experientes da indústria cinematográfica internacional.  

5. Por fim, um lembrete pessoal: geri bilhões da Lei Rouanet à frente da Secretaria Especial da Cultura e saí do governo com as mãos limpas. Quem não se enriqueceu com bilhões certamente não iria se sujar pelos R$ 2 milhões que a imprensa agora tenta atribuir.  

Deputado Federal Mário Frias
Produtor Executivo"

Fonte: GZH
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