A 8ª Jornada de Psicologia da SETREM, promovida de 27 a 29 de abril pelo curso de Psicologia da Instituição, trouxe o tema “O
Psicólogo no Contexto Hospitalar”. No primeiro debate do evento, mediado pela docente Evandir Bueno Barassuol, participaram Nicéia Tiecher Zawaski, enfermeira formada
pela SETREM que atua como coordenadora do Centro Cirúrgico do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Três de Maio, coordenadora da Urgência e Emergência do
Hospital Vida e Saúde de Santa Rosa e profissional do SAMU, e o psicólogo Edson Sá Borges, formado na UFRGS, especialista em Psicologia Hospitalar e em Psicoterapia,
mestre em Saúde da Criança e do Adolescente pela Faculdade de Medicina da UFRGS, psicólogo hospitalar do HPS de Porto Alegre, Psicólogo Clínico do Royal
London Hospital UK e autor do Livro Psicologia Clínica Hospitalar: trauma e emergência.
Borges tratou de valorizar a psicologia clínica dentro das
instituições hospitalares, com foco principal na atuação do psicólogo na emergência. “Este é um setting diferente do
consultório, de uma enfermaria os dos quartos hospitalares. É um mundo à parte onde o principal desafio é pensar muito rápido e também agir muito
rápido. É uma atuação bastante diferente da que o psicólogo está acostumado a fazer. Na emergência, um dos principais papeis do
psicólogo é o diagnóstico e manejo de pacientes que tentaram ou estão em risco de suicídio, situações de maus tratos de crianças, de
pacientes psicóticos ou violentos. O psicólogo precisa ser muito firme na questão do diagnóstico, saber diagnosticar com muita agilidade e também ser
muito ágil no atendimento, pois às vezes é uma situação em que o paciente pode fugir e, no caso do suicida, se matar em poucos instantes. É uma
presença importante e que pode ser decisiva nestes momentos”, destaca.
A situação atual
Quanto
à presença atual do psicólogo nas emergências, Borges destaca que no interior esta é uma cultura pouco disseminada. “Notamos que nas grandes capitais
a psicologia hospitalar está mais presente, é mais aceita e dificilmente vamos ter um grande hospital que não tenha o psicólogo em seu cotidiano de atendimento.
Porém, nas emergências, ainda não é uma realidade disseminada. Hoje, o psicólogo na emergência não é algo comum, pois mesmo que nas
grandes capitais essa presença ocorra em algumas instituições de saúde, no interior realmente é algo que ainda não existe”, complementa o
palestrante. Segundo ele, outra importantes questão que deve ser trabalhada tem ligação com o ambiente acadêmico. “Hoje os cursos não preparam o
psicólogo para o contexto hospitalar, muito menos para atuação em uma emergência ou mesmo para avaliar pacientes com risco de suicídio nestes ambientes.
Ainda é algo que está fora dos currículos e fora da prática de ensino, mas que é fundamental”, conclui Edson de Sá Borges.