Aperto de mão, abraço e promessa de paz e lealdade. Os presidentes e os
dois capitães de Avaí e Figueirense se uniram em uma campanha por clássicos sem violência. Na manhã desta quinta-feira, em um shopping de
Florianópolis, o quarteto representando os dois clubes, selou um pacto para que o clima que contorna a rivalidade entre os dois times da capital de Santa Catarina seja alterado. O
discurso será colocado à prova no próximo domingo, quando as equipes se enfrentam pelo Brasileirão, na Ressacada.
A cerimônia
simples, com certo tom de improviso, teve discurso de Nilton Macedo Machado, Wilfredo Brilinger e a dupla de capitães de mesmo nome, Marquinhos, o zagueiro e o meia. Com boas
intenções, os mandatários e os atletas reconheceram que o limite de rivalidade foi ultrapassado com xingamentos, agressões e, até mesmo, ameaças.
Tanto que a Polícia Civil decidiu intervir na situação e convocou os presidentes e membros de torcidas organizadas.
Engravatados, os
mandatários entoaram um discurso semelhante enfatizando que atletas e clubes são responsáveis pelos últimos acontecimentos.
- Os
acontecimentos que tiveram nos últimos clássicos dentro e fora de campo, são coisa do passado. Evidente que dentro dos torcedores de Avaí e Figueirense tem
alguns que são muitos radicais, mas isso aqui não é guerra é uma disputa desportiva. Isso é o que interessa. Eu transfiro a responsabilidade de conclamar
que os jogadores são os responsáveis por isso. Nós temos que sair do estádio e possamos encontrar um amigo torcedor do Figueirense ou então do
Avaí, apertar a mão, brincar de forma saudável e a vida seguir. É um apelo – apontou Nilton Macedo Machado, presidente do Avaí.
Para o presidente do Figueirense, a campanha deve iniciar um novo momento para o futebol catarinense. Que a união entre os clubes e dirigentes sirvam de exemplo para o
Brasil.
- Nós estamos emanados na luta incessante pela paz nos estádio. Essa violência não é só no nosso
clássico e aqui em Florianópolis. Estamos dando um pontapé inicial e eu tenho certeza que vamos servir de exemplo mais uma vez – comentou Wilfredo
Brilinger.
A campanha, além de discursos, espera agir de forma prática com os jogadores, clube e também, claro, torcedores. Até o
domingo, dia do clássico, ações publicitárias em televisão, jornais, sites e rádios serão veiculadas para estimular a paz para aqueles que
estiverem nas arquibancadas e também acompanhando o jogo.
No último clássico, no Orlando Scarpelli, pela Copa do Brasil, os capitães
não apertaram as mãos. O zagueiro Marquinhos, do Figueirense, não estendeu as mãos para o meia Marquinhos, do Avaí. O clima tenso, porém, ao menos
nesta quinta-feira, parece ter ficado para trás. Os dois não se cumprimentaram, mas também prometeram capitanear os dois grupos de atletas para buscar um jogo de
futebol sem confusões. Além disso, o meia do Avaí tratou de garantir que, independente do resultado, vai trocar de camisa com o homônimo rival, do
Figueira.
- Nos últimos clássicos eu fiz a confusão, eu assumo. Eu achei que nunca iria acontecer isso partindo dos presidentes, as
últimas confusões foram de dentro para fora, a gente tem que rever os nossos conceitos. Então o mais vergonhoso é chegar em casa e ir em Biguaçu dizer que
você fez vergonha. Eu tenho que aprender para não repetir nos próximos jogos. Eu procurei o Wilfredo, no último ano, e pedi desculpas pessoalmente, pois a gente
tem um dever muito grande, a gente tem que levar o nome de Avaí e Figueirense. Agora a nossa incumbência é de levar isso. Que isso sirva de lição, vamos
nos comportar, apertamos as mãos, algo que não tinha acontecido no último clássico, mas desde já estou combinando que eu vou trocar a camisa com
você (Marquinhos, zagueiro). Até porque, infelizmente, eu tenho muito parente que torce para o Figueirense – explicou o capitão do Avaí.
O zagueiro concordou e, inicialmente, gostou do gesto do rival avaiano. Nas palavras de Marquinhos, os jogadores do Figueirense também já haviam percebido que
o limite foi ultrapassado nos últimos clássicos.
- A gente tem que deixar bem claro que a rivalidade fica à parte e temos que jogar futebol.
Somos exemplos ali dentro e é claro que isso vai facilitar lá fora. Se a gente se controlar, isso serve de exemplo. Existem brincadeiras e provocações, isso
é normal, mas tem que saber o limite da provocação. O torcedor vai para dentro do estádio com um pensamento se nós estivermos nos controlando ou com outro
se a provocação passar do ponto. Temos que deixar a violência de lado – complementou o capitão alvinegro.
Até domingo, a
promessa dos clubes e jogadores é de discurso de paz e união para um clássico jogado somente dentro de campo, sem violência e tão pouco
provocações.