Além da Prefeitura de Canoas, o Conselho das
Secretarias Municipais de Saúde também ingressou com uma ação na Justiça nesta segunda-feira (6) contra o governo do estado do Rio Grande do Sul para
receber verbas da saúde em dia. A crise nos hospitais tem deixado pacientes à espera de exames e leitos de internação, como mostrou uma reportagem do RBS
Notícias, da RBS TV .
Em Guaíba, na Região Metropolitana, o Hospital Nossa Senhora do Livramento fechou nesta segunda. O convênio com o governo
não foi renovado. Desde o início do ano, déficit é de R$ 324 mil.
A direção dispensou todos os 50 funcionários,
deixando vários pacientes sem atendimento. "Já não temos coisa nenhuma em Guaíba, agora mais essa aí. Esse aí que o pobre tinha um raio X
velho caindo os pedaçõs e ainda não atendem a gente para retirar”, reclamou a aposentada Neli Rodrigues Aquino.
O outro hospital da cidade, o
Municipal, está pronto desde janeiro, mas ainda não pode ser aberto para o público. "A vigilância Sanitária já fez uma inspeção
lá. Alguns pontos vamos ter que mudar, apesar de a planta ter sido rigorosamente aprovada sempre tem alguma coisa para mudar", justificou o prefeito Henrique Tavares.
Com suspeita de infarto, o aposentado Gelson Soares Garcia amargava nesta segunda no pronto atendimento a falta de um hospital pra internação. "É
lamentável o que nós não temos em Guaíba um hospital para internação", afirmou.
Também na Região
Metropolitana de Porto Alegre, Canoas acumula R$ 17 milhões de atraso nos repasses do Estado desde o ano passado. Ao todo são realizados mais de 70 mil procedimentos na
cidade. Nesta tarde, o município entrou com ação para tentar regularizar os repasses.
No Hospital Ana Nery, em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio
Pardo, o maior problema é no setor de oncologia, onde são feitas quase mil quimioterapias por mês pelo SUS. Segundo direção do hospital, o Estado deve
aproximadamente R$ 2 milhões.
A crise se repete na Zona Sul do estado. Na última sexta (3), o Hospital de Caridade de Canguçu na foi fechado.
Também por falta de repasse do Estado: R$ 4,5 milhões. Na tentativa de reabrir o hospital, uma reunião entre a 3ª Coordenadoria Regional de Saúde e a
direção, nesta tarde, decidiu aumentar os valores de diárias de UTI.
No Noroeste, a população protestou para evitar o fechamento do
serviço de urgência e emergência do Hospital São Vicente de Paulo, em Três de Maio. Segundo a direção, o hospital acumula quase R$ 3
milhões em dívidas e o estado deve o mesmo valor, atrasados desde 2013.
Em Erechim, no Norte do estado, o único hospital que atende pelo SUS
deixou de fazer atendimentos eletivos, que são agendados. A partir de quarta-feira (8), o hospital não vai receber novos pacientes. A dívida chega a R$ 16
milhões.
"Nós fazíamos cerca de 1,5 mil consultas por mês e essas consultas geravam em torno de 400 cirurgias por mês. Em
abril, esse número já caiu de 1,5 mil para 900, em maio para 450 e em junho já não fizemos nenhuma porque realmente temos dificuldade por causa da falta de
repasse aos serviços médicos e aos nossos fornecedores", explicou o diretor administrativo, Rafael Ayub.
A Secretaria Estadual da Saúde (SES)
informa que ainda não tomou conhecimento da ação judicial movida pela prefeitura de Canoas e que acompanha com atenção a situação relatada
pelos hospitais gaúchos.
Segundo a pasta, este foi o primeiro mês em que o governo do Estado não teve condições de pagar em dia os
recursos destinados a hospitais. Neste ano, segundo o governo do Estado, já foram repassados R$ 922 milhões aos hospitais, entre recursos estaduais e federais.