Quase um ano depois de um mutirão para diminuir a espera por consultas com especialistas em Joinville, no Norte de Santa Catarina, o número de pessoas
na fila subiu para mais de 120 mil. São pacientes que precisam de especialidades como dermatologia, proctologia, oftalmologia e ortopedia.
Em abril do ano
passado, eram 109 mil pessoas à espera de uma consulta. A prefeitura fez uma revisão dos casos que ainda precisavam de atendimento e o número caiu pela metade. Agor,a
porém, o tamanho da fila de pacientes voltou a crescer.
É o caso da dona de casa Elza Belegante. Diagnosticada há anos com catarata, ela espera
há um ano e meio por uma consulta com um oftalmologista no posto de saúde. “Não consigo botar um fio na agulha, a legenda na televisão eu não
consigo ler, um livro eu não consigo ler”, diz a aposentada.
Quem precisa de cirurgia também enfrenta fila em Joinville – são 9 mil
pacientes na espera. Com uma das pernas sete centímetros mais curta do que a outra, o aposentado Gentil de Souza precisa colocar uma prótese no quadril e aguarda por isso
há mais de três anos.
“Só ando de muleta, não consigo fazer nada. Minha vida social acabou. Não se tem data nenhuma. É a
Secretaria de Saúde que vai me chamar”, conta o aposentado.
Ações na Justiça
Mais de 50
ações envolvendo fila de espera tramitam na Justiça em Joinville. De acordo com a promotora Simone Cristina Schultz, as ações pedem a
regularização das filas de consultas, exames e cirurgias em diversas especialidades.
“Existem também ações para
regularização do Hospital Regional, do São José, dos PAs e das unidades básicas. As ações que visam término de fila estão
interligadas, se não houver estrutura dos hospitais não dá pra cumprir a decisão que determina o término dessas filas”, diz a promotora.
Outra preocupação é o não cumprimento de um acordo firmado com a prefeitura, que prevê que todas as unidades de saúde precisam
entregar uma declaração ao paciente, informando a posição dele na fila de espera. Muitas pessoas ficam sem esse documento.
“Isso
é gravíssimo. Multas estão sendo aplicadas, bloqueio de valores dos município estão sendo feitos, inquéritos civis para apurar por eventual ato de
improbidade do prefeito foram instaurados na 13ª promotoria. O não cumprimento de decisão judicial pode caracterizar improbidade”, diz a promotora.
André Luís Biancarelli, gerente de Planejamento da Secretaria Municipal de Saúde, nega que o número de pacientes na fila esteja aumentando.
“Ainda não está como nós gostaríamos que estivesse, mas na oftalmologia, por exemplo reduziu 20%. Você nunca vai consegui zerar uma fila.
Precisamos encontrar um equilíbrio entre demanda e oferta”, diz Biancarelli.
O gerente também nega que decisões não estejam sendo
cumpridas. “A grande maioria das decisões foi cumprida. Não deixamos nenhuma ação civil pública sem resposta. Algumas delas estão sendo
trabalhadas como planejado, mas nenhuma ficou sem ser respondida.”
Troca de secretária
Nesta quinta-feira, a
secretária de Saúde de Joinville, Larissa Brandão Nascimento, foi exonerada do cargo. De acordo com a prefeitura, ela alegou “motivos pessoais”. Para seu
lugar foi nomeada Francieli Cristini Schultz, que ocupava o cardo de procuradora executiva do município.
Larissa ocupava o cargo desde março do ano
passado, quando então titular da pasta, Armando Dias Pereira Junior, pediu exoneração após ser acusado pelo Ministério Público de improbidade
administrativa, por descumprir determinações judiciais que exigem o fim das filas de espera por consultas médicas na cidade.
Na época,
Pereira Junior disse estar tranquilo e alegou não ter cometido nenhuma irregularidade.