A Federação das Santas Casas e Hospitais
Filantrópicos do RS apresentou uma proposta ao Estado para atenuar as restrições de atendimentos a pacientes SUS. A entidade pede a intermediação da
Secretaria da Saúde para obter financiamento de R$ 450 milhões, valor referente a repasses atrasados e futuros até o final do ano. O montante seria pago pela
Federação. Ao Executivo restaria apenas a responsabilidade pelos juros, através de um Fundo mantido para apoiar essas instituições de saúde.
“Por incrível que pareça, nós, hospitais, estamos aceitando pagar essa dívida. Por que nós temos que arranjar uma
solução pra resolver o problema da população gaúcha. Esses hospitais, se não tiverem recursos imediatamente, vão sucumbir”, relata o
superintendente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos no RS, Jairo Tessari.
Financiamento
Nesta sexta-feira (10), representantes da Federação se reuniram com o secretário estadual da Saúde, João Gabbardo dos Reis. Ele afirmou que, a partir de
agora, tentará viabilizar junto à Secretaria da Fazenda e ao Banrisul a liberação do financiamento. No entanto, ainda não há expectativa para que a
transação seja concluída. O pagamento teria carência de três anos e quitação em oito anos.
Em 2011, frente à
outra crise vivida na área da saúde, um financiamento de R$ 50 milhões foi disponibilizado às Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, também com
juros subsidiados.
De acordo com levantamento da Federação, entre as 245 instituições mantidas no Estado, 42% (mais de 100 hospitais),
enfrentam algum tipo de problema, como o fechamento de leitos, restrição de exames e cirurgias eletivas, além de demissão de funcionários.
Outras cidades
Além de problemas em hospitais, cidades de todo o Estado também relatam que enfrentam dificuldades para manter
atendimentos em unidades de saúde e, até mesmo, no transporte dos pacientes. Ambulâncias estão paradas em alguns municípios.
Repasses estaduais
A dificuldade enfrentada pelos hospitais ocorre, principalmente, devido a repasses atrasados do Governo do Estado. Esses valores
são incentivos para a manutenção de alguns serviços, como o atendimento a gestantes de risco, oferta de leitos para saúde mental, entre outros
procedimentos. As consultas também são remuneradas através do Sistema Único de Saúde (SUS). Grande parte das instituições também
realiza atendimentos a pacientes particulares e de convênios.