O deputado Federal Darcísio Perondi
concedeu entrevista ao jornalista Jalmo Fornari no programa Tribuna Popular onde comentou sobre decisão do ministério da educação de conceder o direito de
implantar um curso de medicina na cidade de Ijuí, à Universidade Estácio de Sá do Rio de Janeiro, preterindo a Unijuí que também concorria pelo
curso.
“Propina” foi com esta palavra que o deputado abriu a entrevista, repetindo-a inúmeras vezes: “Não tenho dúvida
que houve propina. Os técnicos receberão propina. É um absurdo”, comenta o parlamentar demonstrando todo o seu descontentamento com a decisão,
“É como querer colocar Ijuí na China, não tem o menor cabimento, a Estácio de Sá, não tem a mínima estrutura, identidade ou
condições de sair do Rio de Janeiro para implantar o curso em Ijuí, mais uma vez, tenho certeza houve dinheiro sujo por trás.”
O
deputado ainda afirmou que junto com outros parlamentares cobrará explicações do Ministério da Educação sobre qual o critério usado para
deixar de fora uma instituição que já tem estrutura e que poderia implantar o curso imediatamente para dar a oferta da graduação para uma
universidade que nem tem sede no município.
O reitor da Unijuí Martinho Luís Kelm, falou ontem no encerramento da audiência publica da cadeia
produtiva do leite que ocorria no salão de atos da Unijuí que recebeu as justificativas do MEC com os motivos pelos quais a universidade perdeu a concorrência, segundo
ele, a Unijuí teve boa pontuação no projeto pedagógico, na estrutura e foi aprovada ainda na viabilidade econômica, mas justifica a escolha da
Estácio de Sá, porque o poder econômico dela é maior, ou seja, mesmo que a viabilidade econômica da Unijuí seja suficiente para a
implantação do curso, o MEC deu prioridade para a Estácio, porque eles tem maior poder econômico.
“Durante a tarde eu recebi os
motivos da Unijuí não ser a primeira colocada na oferta do curso de Medicina. Não ficamos em segundo lugar no projeto do curso, não ficamos em segundo lugar nas
nossas estruturas, no nosso plano de trabalho, nisso nós fomos muito bem avaliados. E não fomos desclassificados pela nossa capacidade econômica. Fomos desclassificados
porque a capacidade econômica do nosso oponente era maior do que a nossa. Isso é um absurdo, isso é jogar no lixo um projeto de sociedade que busca, a partir de sua
comunidade, gerar um projeto de desenvolvimento. O MEC considerou a nossa capacidade econômica adequada, mas considerou a do nosso oponente superior. Nós não vamos
desistir. Vamos continuar, vamos sim entrar com recurso e se mesmo assim não ganharmos, nós cairemos de pé.” Discursou o reitor.
Nossa
reportagem levantou informações que dão conta que a Estácio de Sá esta negociando a possibilidade de utilizar o local da antiga rodoviária do
município para implantar suas estruturas e que teria um planejamento de instalar e colocar em funcionamento um hospital comunitário no município no prazo de três
anos.
A decisão do Ministério da Educação pegou toda a região de surpresa que esperava que a Unijuí fosse oferecer
o curso, uma vez que esta já está inserida na região e tem um respaldo conquistado ao longo dos anos, sem contar a forte estrutura que a universidade já tem em
Ijuí.
Foram 33 vagas de novos cursos de medicina concedidos no Brasil. No Rio Grande do Sul haviam 4 vagas, sendo que além de Ijuí, foram
contempladas a URI em Erechim e Feevale em Novo Hamburgo. Ambas as faculdades já possuem presença nos respectivos municípios. Já para São Leopoldo que
também tinha uma vaga não houve proposta vencedora.
A Estácio de Sá que tem sede no Rio de Janeiro, angariou três cursos, além
de Ijuí a instituição recebeu o direito de oferecer medicina ainda em Alagoinhas na Bahia, Angra dos Reis no Rio de Janeiro e Jaraguá do Sul Santa
Catarina.