O atraso nos repasses do governo do Rio Grande do Sul aos municípios, causado pelo bloqueio nas contas do estado para saldar parcela da dívida com a
União, prejudica o atendimento nos hospitais de todo o estado, como mostrou reportagem do RBS Notícias. Os cofres gaúchos já tiveram R$ 231 milhões
congelados, e ainda faltam R$ 34 milhões para a liberação.
Nesta sexta-feira (14), o Pirarini anunciou a transferência de R$ 55
milhões em recursos federais para hospitais. Mas os repasses para a saúde ainda estão entre as principais contas em atraso, e a Federação dos
Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) cogita ingressar com uma ação judicial coletiva, caso os repasses não sejam feitos até o fim do mês.
O presidente do Conselho de Secretarias Municipais da Saúde, Marcelo Bósio, afirma que o problema da falta de recursos vai se agravando com os atrasos.
"Toda vez que atrasa, tem impacto, não consegue fluir esses atendimentos, vamos aumentando esta represa de demandas que temos aqui. A preocupação é que,
cada vez mais, não temos previsibilidade, ou não temos garantia de pagamento", afirmou.
De 20 mil consultas feitas todos os meses nos três
hospitais públicos de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, 5 mil tiveram de ser canceladas. O número de cirurgias eletivas também caiu. Um dos
prejudicados é o irmão da empresária Lendamar Bilak.
"Necessita de cirurgias, e no momento eles não estão fazendo",
lamentou.
Os 100 leitos do Hospital Universitário de Canoas ajudam no atendimento de pacientes que normalmente buscam os serviços de saúde de
Porto Alegre, mas encontram os hospitais sempre lotados. O serviço, no entanto, também corre o risco de fechar por falta de dinheiro.
A dona de casa Vera
Barbosa viajou de Encruzilhada do Sul, no Vale do Rio Pardo, para tratar um problema do coração em Porto Alegre, mas só conseguiu leito em Canoas. Se o hospital parar o
atendimento, ela não sabe onde vai seguir o tratamento.
"Minha filha pediu para transferir, para me tirar de lá, porque viu que não estava
aguentando mais", conta Vera, que disse que o leito foi sua "salvação". "Quando cheguei aqui, a coisa mudou. É um atendimento maravilhoso",
conta.