Há um
mês, uma família de Erechim, na Região Norte do Rio Grande do Sul, não se conforma com a morte de Pedro, que deixou a esposa e filhos em julho. Ele sofria de
obesidade mórbida há 12 anos e, nos últimos três, estava na fila do Sistema Único de Saúde (SUS), esperando por uma cirurgia de
redução de estômago.
A família pediu na Justiça que ele fosse operado. No dia 16 de julho, Pedro passou mal em casa e foi levado ao
Hospital Santa Terezinha, de Erechim. Ele morreu cinco dias depois. “Não é uma vida de uma pessoa que tiraram, tiraram a vida de uma família inteira”, diz a
filha, Diana Moreira.
No atestado de óbito, a causa apontada foi insuficiência respiratória causada pela obesidade mórbida. No dia em
que ele foi enterrado, saiu a sentença da Justiça. No entanto, nem isso teria salvado a vida de Pedro, pois o juiz negou o pedido da família.
“Isso aí acaba com a família. Eu, pelo menos, não tenho mais planos, porque um companheiro de 34 anos se vai assim, por falta de uma mão, falta de uma
assinatura, eu acho que isso é falta de humanidade”, lamenta a viúva Olindina Bergamin.
Na sentença, o juiz alegou que não havia provas
de que a cirurgia fosse a única opção para a perda de peso. Como o laudo pericial não aponta urgência ou emergência, a sugestão seria buscar
alternativas, como reeducação alimentar e a prática de atividades físicas.
“A questão de urgência é relativa,
porque se ele disse que não era uma questão urgente, mas deu que em três meses ele teria que fazer a cirurgia sob pena de falecer, de vir a óbito. Se tratando de
Justiça, onde as coisas são demoradas, três meses passam voando, então eu acho que se tratava de uma coisa urgente, que em três meses se deveria ter feito
alguma coisa, mas nada foi feito”, pondera a advogada da família, Pâmela Taís da Costa.
Outra família briga na
Justiça
A aposentada Denise Ramos vive um drama parecido. A Justiça também negou o pedido dela por uma cirurgia bariátrica. O
laudo médico não fala em urgência ou emergência, mas diz que o procedimento precisa ser feito o quanto antes. Caso contrário, a obesidade pode comprometer o
funcionamento dos órgãos.
“Eu vou morrer desse jeito, se eu não fizer a cirurgia. É a única esperança na minha vida,
eu preciso mesmo. Eu não estou pedindo um luxo, eu estou pedindo uma chance de viver, de poder conviver com a minha família, e ninguém faz nada”, queixa-se a
mulher. A família de Denise ainda vai entrar com um recurso, tentando reverter a decisão.