Publicidades

19/06/2021 | 06:50 | Política

Presidente do TSE determina que Polícia Federal rastreie denúncias de fraudes em urnas eletrônicas

"Se o presidente da República ou qualquer pessoa tiver provas de fraude, tem o dever cívico de entregá-la ao tribunal", disse Barroso

Ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral - Nelson Jr / STF

A direção da Polícia Federal disparou ofícios a todas as 27 superintendências regionais da corporação cobrando um levantamento das denúncias de fraudes na urna eletrônica registradas desde a implantação do sistema de votação, na eleição de 1996.


Os documentos foram enviados na quinta-feira (17), horas após o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmar que o presidente Jair Bolsonaro tem o "dever cívico" de apresentar provas de que as eleições de 2018 foram fraudadas. A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.

 

— Se o presidente da República ou qualquer pessoa tiver provas de fraude, tem o dever cívico de entregá-la ao tribunal, e estou com as portas abertas. O resto é retórica política, são palavras que o vento leva — disse Barroso.


A PF justifica o pedido com base na criação da comissão especial instituída na Câmara para discutir a chamada "PEC do Voto Impresso", de autoria da deputada Bia Kicis (PSL-DF), e ainda pela "necessidade recorrente" de consolidar os dados referentes a denúncias de fraudes eleitorais.

 

Sobre a eleição de 2018, Bolsonaro disse ter provas de fraudes que lhe tiraram uma vitória em primeiro turno. Até hoje, porém, não apresentou qualquer evidência.

 

O voto impresso é uma bandeira do presidente desde os tempos de deputado. Na prática, o sistema não substituiria a urna eletrônica, mas geraria uma espécie de comprovante físico dos votos para recontagens manuais, o que representaria um custo aos cofres públicos na ordem de R$ 2,5 bilhões ao longo de dez anos. A defesa da proposta costuma vir acompanhada de declarações que colocam sob suspeita o sistema eleitoral eletrônico.

 

Em um dos episódios recentes, após a invasão ao Capitólio por extremistas inconformados com a derrota de Donald Trump nos Estados Unidos, Bolsonaro afirmou que, se não houver voto impresso em 2022, o Brasil pode ter um "problema pior".

 

— Qual foi o problema (nos Estados Unidos)? Falta de confiança no voto. Então lá, o pessoal votou e potencializaram o voto pelos correios por causa da tal da pandemia e houve gente que votou três, quatro vezes, mortos votaram — disse a apoiadores no início do ano.

 

No mesmo dia, após a repercussão da fala, o presidente voltou a comentar o assunto em sua primeira transmissão semanal ao vivo de 2021. 

 

— Qual o problema nisso? Estão com medo? Já acertaram a fraude para 2022? Eu só posso entender isso aí. Eu não vou esperar 2022, não sei nem se vou vir candidato, para começar a reclamar. Temos que aprovar o voto impresso — disse ele na live.

 

Na ocasião, Barroso declarou que a vida institucional não pode ser palanque e que as autoridades precisam ser responsáveis pelo que dizem. Ao contrário do que defende o presidente, a votação eletrônica no Brasil permite auditoria e todos os anos uma empresa independente é contratada por meio de licitação para periciar a votação.

Fonte: GZH

Mais notícias desta categoria

Publicidades