04/07/2023 | 05:22 | Política
Marlon Neuber (PL), de Itapoá, estava preso desde a 1ª fase da operação, em dezembro de 2022. Desde então, outros 15 prefeitos de cidades catarinenses foram presos.
Marlon Neuber (PL), prefeito de Itapoá, preso desde dezembro na 1ª fase da Operação Mensageiro, renunciou ao cargo e teve o mandato extinto. O decreto com o termo de renúncia foi publicado no Diário Oficial do município nesta segunda-feira (3).
Réu na investigação que apura fraudes e corrupção em contratos de coleta e destinação de lixo em várias cidades catarinenses, Neuber admitiu em audiência ter recebido cerca de R$ 460 mil em propina da empresa pivô da investigação.
Com a renúncia de Neuber, o mandato dele foi automaticamente extinto. A medida está prevista na Lei Orgânica do Município, que estabelece "a extinção em caso de renúncia escrita pelo chefe do Executivo".
Ainda de acordo com a lei, a perda do cargo independe de deliberação do plenário e prevê que o vice-prefeito, assuma a titularidade. Com isso, Jeferson Garcia (MDB) é o novo prefeito de Itapoá.
A cidade do Litoral Norte catarinense tem 30.750 habitantes e foi o município onde a população mais cresceu proporcionalmente em Santa Catarina, de acordo com o Censo 2022. Em relação a 2010, a alta foi de 108% no número de habitantes.
Confissão sobre propina
Neuber admitiu durante audiência de instrução no fim de maio o recebimento da propina. Em juízo, diss e que os pagamentos teriam ocorrido entre 2017 e 2022.
Afirmou também que teve o primeiro contato em 2016 com a empresa Serrana Engenharia, pivô da investigação. Na época, ele era candidato a prefeito.
Na ocasião, relatou ter pedido doação de R$ 150 mil para a campanha eleitoral, valor que foi pago pela empresa.
Já eleito, entre 2017 e 2018, teria procurado a Serrana e combinado um pagamento de propina de R$ 120 mil por ano.
Segundo ele, os valores eram pagos, normalmente, duas vezes ao ano ao cunhado. A partir de 2022, a propina deixou de ter um valor fixo e passou a ser paga com base em um percentual do contrato que a empresa tinha com o município.
Marlon afirmou que chegou a comprar um imóvel em Itapoá com o valor recebido, e que usou recursos para “compromissos sociais que assumia publicamente, e compromissos pessoais”.
Também disse ter usado recursos em campanhas eleitorais de 2018 no âmbito estadual e federal e para outros gastos pessoais.
O prefeito admitiu que os R$ 180 mil apreendidos na casa dele durante a prisão seria, na maior parte, resultado de propina com a Serrana.
Quando a operação teve início?
Deflagrada em 6 de dezembro de 2022, a operação Mensageiro já teve quatro fases. Na primeira, quatro prefeitos foram presos, um deles durante uma viagem oficial em Brasília.
Na segunda etapa, em 2 de fevereiro, dois prefeitos também foram detidos. Na terceira fase, o prefeito de Tubarão foi detido junto com o vice. Na quarta etapa, foram presos oito prefeitos.
A investigação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) começou há um ano e meio, após denúncias, acompanhamento de entregas de dinheiro e rastreamento de celulares.
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