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26/02/2025 | 05:25 | Polícia

Facção pagava até R$ 60 mil por falsa cirurgia de apenados, constata Ministério Público do RS

Profissionais simulavam procedimentos com o objetivo de conseguir que presos de alta periculosidade cumprissem pena em casa, resultando também na fuga deles

Profissionais simulavam procedimentos com o objetivo de conseguir que presos de alta periculosidade cumprissem pena em casa, resultando também na fuga deles
Grupo de combate ao crime organizado formado do Ministério Público do RS investiga esquema que envolve médicos. Grégori Bertó / Ministério Público-RS

O pagamento por laudos que atestavam falsas doenças é o ponto nevrálgico do esquema que propiciou fugas de chefes do crime que estavam em presídios gaúchos. Esta é a principal constatação da Operação Hipocondríacos, desencadeada nesta terça-feira (25) pelo Ministério Público do RS.

A ação, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), realiza buscas e apreensões em domicílios ligados a médicos, advogados e pessoas envolvidas com uma facção gaúcha dominante na zona leste de Porto Alegre.

O Gaeco não revela os nomes dos alvos, mas a reportagem apurou que um deles é o traumatologista Guilherme Fernandes e outro, uma advogada, Bruna Castelo Branco Ritter. A defesa de Bruna afirma que "refuta veementemente qualquer alegação de falsidade" (leia nota na íntegra abaixo). A reportagem tenta contato com representantes de Fernandes.

Conforme o MP, no esquema investigado médicos elaboravam laudos falsos de doença para presos a um custo de R$ 8 mil. Mediante a simulação de um problema de coluna, por exemplo, o apenado pedia para cumprir a pena em casa (prisão domiciliar).

Mas existiam formas mais sofisticadas de golpe. É o caso de cirurgias falsas: o preso era levado a um hospital, anestesiado e saia de lá como se tivesse sido operado. Depois de ficar em sua residência, fugia. Por esse procedimento, os médicos estariam cobrando R$ 60 mil, diz o Ministério Público.

Parte do dinheiro arrecadado era disfarçado em investimentos em construtoras, empresas de gestão de condomínios e de recursos humanos. Até por isso, os envolvidos serão também processados por lavagem de dinheiro. Os alvos sofreram busca e apreensão em seus domicílios, mas não foram presos.

Contraponto

O que diz Marcelo Marcante, advogado de Bruna Castelo Branco Ritter

"Todos os pedidos formulados tiveram embasamento em exames clínicos e de imagem, realizados em instituição idônea, sendo que refuta veementemente qualquer alegação de falsidade. A inocência será comprovada ao final das investigações."

Fonte: GZH
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