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08/08/2025 | 05:21 | Política

Líder do PL na Câmara diz que não houve chantagem por desobstrução e pede desculpa a Motta: ''Não assumiu compromisso''

Mais cedo, o presidente da Casa já havia negado que o fim da ocupação do plenário pela oposição tenha sido negociado em troca do compromisso de pautar o projeto da anistia

Mais cedo, o presidente da Casa já havia negado que o fim da ocupação do plenário pela oposição tenha sido negociado em troca do compromisso de pautar o projeto da anistia
Em discurso, Sóstenes ainda criticou o STF. Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), negou nesta quinta-feira (7) que os bolsonaristas tenham feito "chantagem" para a desobstrução da Mesa da Casa em troca de pautar a votação da anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro. Segundo o deputado, não existe acordo para que a proposta seja votada.

Sóstenes ainda pediu desculpas ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), pelo protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que impediu os trabalhos na Câmara por dois dias.

— O presidente Hugo Motta não foi chantageado por nós, ele não assumiu compromisso de pauta nenhuma conosco — discursou o líder no PL, enquanto deputados lamentaram no plenário.

Ele ainda disse que "não é comportamento da direita chantagear ninguém":

— Nós, líderes dos partidos que compomos a maioria desta Casa, vamos pautar o fim do foro privilegiado e a anistia. Os líderes. Não o presidente Hugo Motta, não existe chantagem nesta Casa, não é comportamento da direita chantagear ninguém.

O líder do PL também aproveitou o discurso para pedir desculpas ao presidente da Casa:

— Ontem, com o acirrar dos ânimos, se eu, com Vossa Excelência (Hugo Motta), não fui correto, te peço perdão da tribuna da Câmara. Não fui correto no privado, mas faço questão de vir em público te pedir perdão — disse o deputado. Sóstenes ainda afirmou que Motta foi "muito paciente" com ele.

Motta nega negociação
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), negou que o fim da ocupação do plenário pela oposição tenha sido negociado em troca do compromisso de pautar o projeto de anistia.

Motta conseguiu assumir a cadeira da mesa diretora após quase 30 horas de bloqueio da oposição.

— A presidência da Câmara é inegociável. Quero que isso fique bem claro. A negociação feita por esta presidência para que os trabalhos fossem retomados não está vinculada a nenhuma pauta. O presidente da Câmara não negocia suas prerrogativas, nem com a oposição, nem com o governo, nem com absolutamente ninguém — disse Motta nesta quinta-feira (7).

Exigências e obstrução do plenário
A oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupou a Câmara e o Senado Federal na terça-feira (5). Os parlamentares pediam a aprovação de um "pacote de paz" após a prisão de Bolsonaro.

As exigências eram a votação do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), da anistia "ampla, geral e irrestrita" aos envolvidos no 8 de Janeiro e da proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim do foro privilegiado.

Durante o período em que travaram os trabalhos da Casa, os parlamentares se revezaram para ocupar as Mesas Diretoras, protestaram com esparadrapo na boca e se acorrentaram à mesa. Motta só recuperou a Mesa Diretora da Câmara na noite de quarta-feira (6) após dois dias de obstrução, sem acordo para a votação dos temas.

— O que aconteceu entre o dia de ontem e o dia de hoje, em um movimento de obstrução física, não fez bem a esta Casa. A oposição tem todo o direito de se manifestar, a oposição tem todo o direito de expressar a sua vontade — discursou Motta ao retomar o comando da Casa na quarta.

Nesta quinta, Sóstenes ainda criticou o STF, porém, defendeu a pacificação no Congresso. 

— Nós precisamos de uma reconciliação nesta Casa, de boa convivência para dar exemplo ao Brasil — disse o líder do PL.

O deputado ainda se dirigiu a todos os parlamentares presentes no plenário:

— Nós precisamos pacificar este país. É um apelo que faço aos meus colegas, agradecendo e pedindo desculpas. Peço desculpas a todos agora, se em algum momento eu fui indelicado com alguns dos senhores ou das senhoras — afirmou.

Fonte: GZH
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