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11/12/2025 | 07:24 | Política

Câmara dos Deputados derruba pedido de cassação de Glauber Braga e decide suspender o parlamentar por seis meses

Parlamentar foi acusado pelo partido Novo de ter faltado com o decoro ao expulsar e chutar um militante do MBL

Parlamentar foi acusado pelo partido Novo de ter faltado com o decoro ao expulsar e chutar um militante do MBL
Glauber Braga usou a tribuna para defender a continuidade de seu mandato. Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados / Divulgação

A Câmara Deputados derrubou o pedido de cassação de Glauber Braga (PSOL-RJ) e decidiu suspender o parlamentar por seis meses. A votação ocorreu em plenário nesta quarta-feira (10).

O parlamentar protagonizou uma confusão na Casa na terça-feira (9), ao saber que a sua cassação seria votada no dia seguinte. Na ocasião, Braga ocupou a cadeira da Presidência da Câmara e se recusou a deixar o local. A Polícia Legislativa tirou o parlamentar à força do local.

Glauber Braga foi acusado pelo partido Novo de ter faltado com o decoro parlamentar ao expulsar da Câmara, em abril do ano passado, com empurrões e chutes, o integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) Gabriel Costenaro.

Braga afirmou que a cassação era desproporcional, pois o próprio regimento estabelece a punição de censura verbal ou escrita para atos que infrinjam as regras de boa conduta, para ofensas físicas ou morais e desacato nas dependências da Câmara dos Deputados.

Antes da votação, o deputado usou a tribuna para defender a continuidade de seu mandato. Ele alegou que chutou o militante do MBL porque sua mãe foi ofendida. À época, ela estava com Alzheimer e veio a falecer alguns dias depois:

— Todas as vezes que eu lembro da minha mãe eu me emociono. Fale de minha mãe, fale de meu filho, ameace minha família para ver o que eu sou capaz de fazer, eu prefiro nem imaginar. Alguns podem achar que minha ação foi destemperada, ação de quem aguentou por sete vezes consecutivas indo atrás de mim nos espaços públicos falando o que falou da minha mãe. 

Confusão na Câmara

Quando o parlamentar ocupou a cadeira da presidência da Câmara na terça-feira (9), os deputados estavam na primeira fase da sessão que podia votar o projeto de Lei (PL) da dosimetria — que reduz a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados pela trama golpista. 

Com a situação, policiais legislativos da Casa esvaziaram o plenário e a transmissão da sessão foi interrompida. Além disso, a imprensa foi retirada do plenário e impedida de acompanhar a movimentação.

— Eu vou me manter aqui firme até o final dessa história. Se o presidente da Câmara quiser tomar uma atitude diferente daquela que ele tomou com os golpistas que ocuparam essa mesa diretora e que até hoje não tiveram qualquer punição, essa é uma responsabilidade dele. Eu aqui ficarei até o limite das minhas forças — disse Braga.

Por volta das 19h10min o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), retomou a sessão. Em comunicado publicado na rede social X, Motta chamou de desrespeito o ato de Braga:

"Temos que proteger a democracia do grito, do gesto autoritário, da intimidação travestida de ato político. Extremismos testam a democracia todos os dias. E todos os dias a democracia precisa ser defendida", escreveu.

Além disso, Motta diz que determinou "a apuração de possíveis excessos em relação à cobertura da imprensa".

Fonte: GZH
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