08/04/2026 | 13:34 | Política
Montante foi declarado à Receita Federal entre 2024 e 2025. Dados foram obtidos pela CPI do Senado que investiga a fraude na instituição de Vorcaro
O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, recebeu pelo menos R$ 80,22 milhões do Banco Master — liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. É o que indicam dados da Receita Federal encaminhados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga esquema de fraude liderado pelo dono da instituição, Daniel Vorcaro, que está preso.
Dados obtidos pelo g1 indicam que o Master pagou 22 parcelas mensais de R$ 3.646.529,72 ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados. Os pagamentos foram realizados ao longo de 2024 e 2025.
Os valores aparecem nas declarações de Imposto de Renda do Master. À Receita Federal, a instituição informou ter recolhido R$ 4.933.754,76 em impostos retidos na fonte.
Em dezembro, a colunista do jornal O Globo Malu Gaspar, revelou que o escritório da mulher de Moraes tinha contrato de três anos com o Banco Master. O acordo previa o pagamento de R$ 129 milhões em 36 parcelas, mas foi interrompido após a liquidação e investigação do Banco.
Procurado pelo g1, o escritório não confirmou as informações e as classificou como "incorretas e vazadas ilicitamente". Viviane e Alexandre de Moraes não se pronunciaram até o momento.
Contrato
Viviane Barci de Moraes já havia comentado sobre seu acordo com o Banco Master anteriormente. Em nota divulgada em março, ela confirmou que prestou serviços de consultoria à instituição de Vorcaro.
O documento afirma que 15 advogados atuaram ligados ao Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. A equipe fez 94 reuniões, sendo 79 presenciais na sede do banco.
Fraude bilionária
O Banco Master é investigado por ser o centro de um sistema complexo de fraudes financeiras. Inquérito da Polícia Federal estima movimentação acima dos R$ 51,8 bilhões, contabilizando o rombo causado ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) com as liquidações do Master, Will Bank e Banco Pleno.
O sistema tinha como peça-chave Daniel Vorcaro, preso pela primeira vez em novembro de 2025. Dono do Banco Master, ele está envolto de uma teia com conexões com político, servidores do Banco Central, ministros e membros do STF.
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